JÁ ESTÁ DISPONÍVEL O PRIMEIRO EPISÓDIO DO PODCAST DO OBIAJOR

Como surgiu o OBIAJOR e o que o distingue de outras iniciativas que estudam a relação entre Inteligência Artificial e jornalismo?

No primeiro episódio do podcast do OBIAJOR, Fátima Santos e Adriana Gonçalves conversam com João Canavilhas, investigador principal do projeto, sobre a origem da iniciativa, os seus objetivos e a importância de compreender a forma como o jornalismo está a integrar a Inteligência Artificial nas suas práticas.

Um dos principais objetivos do OBIAJOR é perceber como esta tecnologia está a ser utilizada nas redações, que transformações está a introduzir no trabalho jornalístico e quais os desafios que coloca aos profissionais e aos meios de comunicação.

O projeto procura também aproximar os resultados científicos das necessidades concretas do setor, promovendo o desenvolvimento de soluções que possam apoiar o trabalho dos jornalistas. Um dos exemplos abordados é o desenvolvimento de uma ferramenta destinada a meios de comunicação locais, pensada para responder a necessidades identificadas no terreno.

Esta componente prática assenta numa relação próxima com as redações e numa intervenção direta junto dos profissionais, procurando compreender os seus desafios e garantir que os resultados da investigação possam ter aplicação efetiva. O objetivo é também cruzar o conhecimento, contribuindo para que a investigação tenha continuidade e se traduza em contributos concretos para o jornalismo.

Outro dos aspetos centrais da conversa é a abordagem multidisciplinar do OBIAJOR. Ao aproximar as Ciências da Comunicação das Ciências da Computação, o projeto procura criar condições para o desenvolvimento de trabalho conjunto entre áreas científicas que, apesar das suas diferenças, podem complementar-se na análise e na aplicação da Inteligência Artificial ao jornalismo.

Neste contexto, a comunicação assume um papel fundamental: compreender as possibilidades da tecnologia implica também saber formular problemas, explicar necessidades e estabelecer uma linguagem comum entre investigadores, profissionais e especialistas de diferentes áreas.

Uma conversa que marca o início de um espaço de divulgação científica e reflexão crítica sobre a Inteligência Artificial, o jornalismo e as possibilidades de colaboração entre a investigação e a prática profissional.

🎧 Ouve o primeiro episódio no Spotify.

OBIAJOR, a pergunta vem primeiro!

VISÃO PARA O FUTURO DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA

Os investigadores do OBIAJOR, João Canavilhas e Pedro Jerónimo, foram entrevistados para a edição comemorativa do 150.º aniversário do Diário de Notícias da Madeira, publicada a 11 de outubro.

A edição especial assinala os 150 anos de um dos jornais históricos da imprensa regional portuguesa, sob o tema “ousadia e memórias, desafios e compromisso”. O jornal recorda algumas das suas manchetes mais icónicas, capas que evidenciam a evolução gráfica da publicação, rubricas e reportagens que marcaram a sua história.

A par com desta revisitação do passado, as últimas páginas da edição são dedicadas à transformação digital do jornalismo. Sob o mote “Visão para o futuro”, o Diário de Notícias da Madeira entrevistou investigadores portugueses que se dedicam ao estudo das transformações digitais nos media, entre os quais João Canavilhas e Pedro Jerónimo.

Pedro Jerónimo destaca o potencial do digital para reforçar a proximidade entre o jornalismo regional e os cidadãos, afirmando que “a tecnologia permite chegar mais rapidamente às pessoas, mas permite igualmente ouvi-las melhor e criar serviços informativos mais ajustados às suas necessidades” (p.171). O investigador, alerta, contudo, que a transformação digital não se resume à digitalização de conteúdos.

A reflexão sobre a tecnologia estende-se à Inteligência Artificial, relativamente à qual Pedro Jerónimo sublinha que esta não resolve “problemas que são essencialmente editoriais, econónimos ou humanos”, nem substitui “jornalistas no território, memória acumulada, relações de confiança com fontes nem capacidade para investigar” (p.171).

Também João Canavilhas destaca o potencial destas ferramentas, sobretudo em redações com recursos limitados. “Numa redação com recursos limitados, estas ferramentas podem poupar horas de trabalho”, afirma o investigador, acrescentando que “esse tempo pode ser utilizado para investigar e tornar público aquilo que ainda não se conhece” (p.174).

A utilização da IA na recolha e organização de informação e na execução de tarefas rotineiras pode, assim, libertar tempo para atividades essenciais à prática jornalística, como o trabalho de campo, o contacto com as fontes, a investigação e a construção de narrativas. Mais do que substituir o jornalista, a tecnologia pode contribuir para reforçar a sua capacidade de investigar e dar visibilidade a realidades que, de outra forma, permaneceriam desconhecidas.