IA NO ENSINO DO JORNALISMO EM PORTUGAL: CAPÍTULO DE LIVRO PUBLICADO

Foi recentemente publicado o capítulo “Integración de contenidos sobre inteligencia artificial en la enseñanza del periodismo en Portugal”, da autoria de Fábio Giacomelli, da Universidade dos Açores, e Bárbara Biolchi, investigadora do OBIAJOR, no livro Comunicar en tiempos convulsos: narrativas, poder y sociedad en la era digital, editado pela McGraw Hill, em Espanha.

O trabalho analisa a forma como os conteúdos relacionados com a Inteligência Artificial (IA) estão a ser integrados nos cursos superiores de jornalismo em Portugal, num contexto de transformação das práticas profissionais e de crescente utilização desta tecnologia nas diferentes etapas da produção e distribuição de informação.

A investigação combina a análise documental dos planos curriculares com um inquérito a docentes de jornalismo de diferentes regiões do país. No total, foram analisadas 105 unidades curriculares, pertencentes a 48 cursos de licenciatura e mestrado em jornalismo, e recolhidas 15 respostas de docentes.

Os resultados revelam que a integração da IA na formação em jornalismo continua a ser desigual e pouco estruturada. Das 105 unidades curriculares analisadas, apenas 28 incluem conteúdos relacionados com esta tecnologia e apenas duas são especificamente dedicadas à IA, ambas de caráter opcional. O estudo evidencia, assim, que a introdução destes conteúdos depende, em grande medida, de iniciativas individuais dos docentes, mais do que de estratégias curriculares consolidadas pelas instituições de ensino superior.

O inquérito realizado permite também identificar uma atitude de abertura cautelosa por parte dos docentes relativamente à utilização da IA no ensino do jornalismo. Esta tecnologia é valorizada para o apoio à análise de dados, à sumarização de informação, à identificação de fontes e a outras tarefas complementares ao trabalho jornalístico. Em contrapartida, quando a sua utilização envolve a produção automática de notícias e a possibilidade de substituição do trabalho humano, verifica-se maior resistência.

O estudo conclui que o principal desafio não está na aceitação da IA, reconhecida pelos docentes como uma realidade incontornável, mas na criação de condições para a integrar nos planos de estudo. Para tal, torna-se necessário reforçar a formação dos docentes e desenvolver estratégias pedagógicas e curriculares que articulem a experimentação prática, a reflexão crítica e os valores do jornalismo.

Ao analisar o panorama português, este trabalho contribui para o debate sobre o futuro da formação em jornalismo e sobre o papel das universidades na capacitação de profissionais capazes de responder às transformações tecnológicas, preservando o rigor, a responsabilidade editorial e o compromisso com o interesse público.