EXAME DE QUALIFICAÇÃO NO PPGJOR COM PARTICIPAÇÃO DO OBIAJOR

A investigadora do OBIAJOR Adriana Gonçalves integrou, esta sexta-feira, 11 de setembro, a banca do exame de qualificação da tese de doutoramento de Francilene de Oliveira Silva, no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJOR/UFSC, Brasil), em modo remoto.

A autora da tese, Francilene Silva, realizou uma parte da sua investigação no LabCom e em Portugal, a partir da modalidade de ‘doutorado-sanduiche’. O seu trabalho analisa as transformações provocadas pela IA generativa no jornalismo, com particular atenção às questões de autoridade epistémica e legitimação do conhecimento. A dimensão comparativa entre Portugal e Brasil assume particular relevância no contexto do OBIAJOR, porque permite observar diferentes contextos de adoção da IA e discutir as consequências destas tecnologias para as práticas profissionais além fronteiras.

A tese intitulada “Legitimação do conhecimento e autoridade epistémica do jornalismo no contexto da IA generativa: um estudo comparativo entre Brasil e Portugal”, é orientada por Rita de Cássia Romeiro Paulino e tem como coorientador João Canavilhas, investigador principal do OBIAJOR e professor da Universidade da Beira Interior. Da banca examinadora fizeram parte também os professores: Raquel Ritter Longhi PPGJOR/UFSC, Felipe Müller (PPGFil/UFSC) e Ana Regina Rêgo Leal (PPGCOM/UFPI).

O tema da tese tem proximidade com as linhas de investigação do OBIAJOR – Observatório de Inteligência Artificial no Jornalismo, que acompanha a utilização da IA nas redações e a forma como os meios de comunicação comunicam estas práticas aos seus públicos. A investigação desenvolvida no âmbito da tese contribui, assim, para o debate sobre os impactos da IA generativa nas práticas jornalísticas e sobre as mudanças que esta tecnologia introduz nos processos de produção, validação e disseminação de informação.

A participação de Adriana Gonçalves na banca, juntamente com a coorientação de João Canavilhas, reforça a colaboração científica entre o LabCom e grupos de pesquisa do Brasil em torno de um dos principais desafios atuais do jornalismo.

ARTIGO PUBLICADO: IA E JORNALISMO PÚBLICO NO BRASIL

Acaba de ser publicado o artigo “Inteligência artificial e jornalismo público no Brasil: governação e inovação na EBC” da autoria da investigadora do OBIAJOR Bárbara Biolchi, em parceria com o investigador Fabio Giacomelli, membro do LabCom, na revista brasileira Famecos (PUCRS).

O estudo analisa as perceções de 31 profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) sobre a incorporação da Inteligência Artificial nas rotinas do jornalismo público. Os resultados mostram uma relação ambivalente com a tecnologia: se, por um lado, existe a necessidade de atualização tecnológica e potencial para qualificar as práticas jornalísticas e ampliar o alcance social da empresa, por outro, persistem resistências associadas à cultura organizacional e à ausência de orientações institucionais claras para o uso da IA.

Os autores defendem, por isso, uma governação da inovação crítica e participativa, capaz de conciliar eficiência tecnológica, transparência e responsabilidade editorial com os valores que orientam o serviço público de comunicação.

O artigo está publicado em língua portuguesa e pode ser lido aqui.

ESTUDAR NA UBI, INVESTIGAR NO LABCOM

Estão abertas até ao dia 31 de agosto as candidaturas ao 3.º Ciclo em Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI).

O curso tem como objetivo aprofundar a formação em Ciências da Comunicação e contribuir para o desenvolvimento da investigação na área, capacitando os profissionais para desenvolverem investigação científica autónoma. O doutoramento articula-se com os quatro grupos de investigação do LabCom: estudos dos media; estudos de jornalismo; cultura, identidade e memória; e comunicação estratégica.

São disponibilizadas 15 vagas para 2026. Podem candidatar-se titulares de mestrado em Ciências da Comunicação ou áreas afins, bem como licenciados destas áreas que apresentem um currículo escolar ou científico especialmente relevante.

O curso funciona em regime diurno e oferece condições para o desenvolvimento de investigação em áreas como os media, jornalismo, comunicação estratégica, publicidade e relações públicas, entre outras.

Mais informações sobre o curso e o processo de candidatura aqui.

COMUNICAÇÃO, HUMANOS E MÁQUINAS: DESAFIOS DA DEMOCRACIA E DA ÉTICA

O XVII Seminário Internacional da Comunicação (SEICOM) realiza-se entre os dias 10 e 12 de novembro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, Brasil, com possibilidade de participação online.

O evento pretende promover o debate sobre os processos e práticas comunicacionais, relações de poder e tecnologias, considerando os seus impactos sociais, políticos e culturais, a partir do tema “Humanos e Máquinas: desafios da democracia e da ética”.

A chamada de resumos expandidos está aberta até ao dia 14 de setembro (os resumos devem ter até 4.000 caracteres e seguir as normas ABNT). As apresentações dos trabalhos selecionados decorrerão nos dias 11 e 12 de novembro, através da plataforma Zoom e presencialmente na Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos/PUCRS).

O XVII SEICOM contará com palestras de investigadores internacionais: Edmond Doua, da Universidade Félix Houphouët-Boigny, na Costa do Marfim, Fabienne Brugère, da Universidade de Paris 8, em França, Letícia Cesarino, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Giselle Beiguelman, da Universidade de São Paulo.

Mais informações sobre a submissão de trabalhos, os Grupos de Trabalho e o programa do evento aqui.

 

ESCOLA DE OUTONO SOBRE PRÁTICAS DE INVESTIGAÇÃO EM IA

Está aberta a chamada de propostas para a VI MeLCi Lab Autumn School, dedicada ao tema “Advanced School on AI Research Practice in Media and Communication”, que se realiza online, entre os dias 10 e 13 de novembro de 2026.

Organizada pelo CICANT – MeLCi e AISIC Labs, da Universidade Lusófona, a iniciativa pretende reunir estudantes de doutoramento, investigadores pós-doutorados e investigadores em início de carreira interessados na utilização da Inteligência Artificial (IA) nas práticas de investigação na área da Comunicação.

O programa combina workshops práticos e sessões plenárias com investigadores internacionais, entre eles: Dennis Nguyen, Utrecht University; Igor Kanižaj, Catholic University of Croatia; Joëlle Swart, University of Groningen; Max Schich, Tallinn University, Estonia; e Petter Törnberg, University of Amsterdam. A Escola de Outono pretende contribuir para a aquisição de competências no uso de ferramentas de IA e, simultaneamente, promover uma reflexão crítica sobre os desafios metodológicos, éticos e sociais associados à sua utilização na investigação.

Entre os temas propostos estão a utilização de IA na pesquisa bibliográfica, a anotação de dados com recurso a modelos de linguagem, a transparência dos resultados produzidos por IA, a literacia mediática e as questões de ética, equidade e inclusão na investigação com IA.

As propostas devem ser submetidas até 15 de setembro de 2026, em inglês, idioma em que decorrerá a formação. Os candidatos deverão apresentar o Curriculum Vitae atualizado, um documento descritivo do seu projeto de doutoramento ou investigação, e uma carta de motivação, com uma reflexão sobre a perspetiva relativamente à IA e o seu papel nos media.

A participação tem um custo de 70 euros para estudantes de doutoramento da Universidade Lusófona/CICANT, 150 euros para estudantes de doutoramento de outras instituições e 200 euros para os restantes participantes.

Mais informações sobre o evento aqui.

CHAMADA DE TRABALHOS PARA O II EPEA (UBI)

Está aberta a chamada de trabalhos para o II EPEA – Seminário Internacional Esfera Pública na Era dos Algoritmos, que este ano se dedica ao tema “Inteligência Artificial e Comunicação Política”. O evento é organizado pelo LabCom e realiza-se nos dias 10 e 11 de dezembro, em formato online.

Serão discutidos os impactos da IA na esfera pública e na comunicação política, com especial atenção a questões como desinformação, deepfakes, literacia algorítmica, transparência, ética e responsabilização dos sistemas de IA. Entre os temas propostos estão também as transformações provocadas pela IA nas práticas jornalísticas e nas formas de agendamento e gatekeeping, tema relevante no contexto do OBIAJOR.

Os resumos podem ser submetidos em português, inglês ou espanhol, com um máximo de 350 palavras. Cada autor pode submeter até duas propostas.

O prazo para submissão decorre até dia 30 de setembro de 2026, estando prevista a divulgação dos resultados a 15 de outubro. Mais informações aqui.

REVISTAS “CIENTÍFICAS” GERADAS POR IA? SIM, É POSSÍVEL!

Os alertas do Google Scholar soaram com a recomendação de mais um artigo sobre IA e jornalismo. O trabalho intitulado “AI News Anchors, Automated Journalism, and the Transformation of Journalistic Authority: A Conceptual Framework“, surgia publicado na Journal of AI Communication and Society, uma revista desconhecida até então. O título fazia crer que seria uma obra relevante para adicionar à biblioteca. À primeira vista, nada de invulgar. 

Uma primeira leitura permitiu identificar o uso de referências basilares nesta área: Carlson, 2015; Clerwall, 2014; Diakopoulos, 2015; Graefe, 2016; Guzman & Lewis, 2020; Montal & Reich, 2017; Thurman, Dörr & Kunert, 2017 e Wölker & Powell, 2021. O autor do artigo era, no entanto, um nome desconhecido, Oliver Hughes, com afiliação da University of Sydney.

Pesquisámos o seu perfil académico, incluindo nos site da referida School of Art, Communication and English, mas sem sucesso. O paradeiro de Oliver Hughes, com um contacto de email genérico “oliver.hughes@academicmail.org” era, portanto, incerto.

A investigação prosseguiu pela própria revista. A Journal of AI Communication and Society apresentava apenas um único número publicado a 6 de junho de 2026, com cinco artigos. Uma leitura atenta destes textos revelou um padrão recorrente: a mesma estrutura, a mesma base teórica, as mesmas ideias, os mesmos títulos… Alguns cliques depois, concluimos que os artigos não eram mais do que resumos gerados por IA, e que não aportavam qualquer valor científico.

As dúvidas tornaram-se mais sérias quando procurámos confirmar a identidade dos autores e dos membros do conselho editorial. Nenhum dos nomes indicados foi encontrado em bases de dados académicas, perfis de investigação ou outras fontes institucionais credíveis. Ou seja, nenhum dos autores dos artigos ou dos editores da revista existia, de facto. Em contacto com uma das universidades mencionadas como afiliação, tivemos a confirmação. Sem grande surpresa, Tijmen Lansdaal da University of Amsterdam, salientou as diferenças entre as revistas verdadeiras e as fictícias eram perceptíveis, pelo menos para os investigadores: “Thankfully, the difference with real journals is quite noticeable. Hopefully, this is also true for the general public“.

Este episódio mostra a facilidade com que as tecnologias de IA generativa conseguem produzir conteúdos, sobretudo textos, cada vez mais próximos da escrita académica. Mas o uso de IA como ferramenta de apoio não é, por si só, um problema. O problema surge quando a IA é usada para fabricar conteúdo apresentado como investigação científica ou quando um site se faz passar por uma revista científica, simulando nomes de autores, artigos e afiliações.

Partilhamos esta experiência como um alerta à comunidade académica.

RESUMOS DE NOTÍCIAS COM IA GENERATIVA

O Jornal Público lançou recentemente o projeto 1ªHora, uma iniciativa que pretende atualizar os leitores sobre as principais notícias do dia, em poucos minutos.

De segunda a sexta-feira, a equipa editorial seleciona as principais notícias do dia (entre cinco e dez) para serem apresentadas aos leitores e assinantes do jornal, em formato de resumo. Estes resumos são gerados automaticamente por modelos de IA generativa, mas passam por um processo de supervisão e revisão humana antes de serem publicados no website.

Com esta ferramenta, o jornal apresenta as notícias do dia em quatro ou cinco parágrafos, com a indicação do link no final para que o leitor possa ler a notícia na íntegra.

Mais detalhes em: https://www.publico.pt/primeira-hora

OBIAJOR PARTICIPA EM CONGRESSO INTERNACIONAL

Durante os dias 11 e 12 de junho, está a decorrer o XXXII Congreso Internacional de la Sociedad Española de Periodística (SEP), com o tema “Periodismo y sociedad conectada: nuevas narrativas, nuevas responsabilidades”, em Gandia.

O OBIAJOR estará presente através de duas comunicações. A primeira, intitulada “Apresentadores artificiais de notícias e confiança epistémica no jornalismo televisivo português”, da autoria dos investigadores João Canavilhas, Adriana Gonçalves, Bárbara Biolchi e Francilene Oliveira, que será apresentado pela investigadora Bárbara Biolchi. O artigo explora o primeiro caso de uso de pivôs artificiais no telejornalismo em Portugal, pelo canal televisivo Conta Lá, e discute de que forma estes novos atores tecnológicos reconfiguram o telejornalismo e tensionam pressupostos históricos ligados à figura do pivô.

O segundo, da autoria de Pilar Sánchez-García e João Canavilhas, intitulado “El encuadre noticioso de la IA en los medios digitales de España y Portugal: una cobertura generalista y acrítica”, será apresentado pela investigadora Pilar Sánchez-García. O estudo analisa cerca de 55 mil artigos publicados entre 2024 e 2025 em mais de 900 media ibéricos para identificar os enquadramentos, temas e sentimentos predominantes na cobertura da IA. Os resultados mostram uma cobertura sobretudo generalista, centrada em temas tecnológicos e económicos e fortemente baseada na atualidade das grandes empresas tecnológicas, com pouca análise crítica, contribuindo para amplificar de forma acrítica o entusiasmo mediático em torno da IA.

Mais informações no site do congresso: https://sepgandia2026.webs.upv.es/

PROGRAMA IBERPERIA JÁ DISPONÍVEL

A 1ª edição do Congresso IBERPERIA com o tema “Novos horizontes para o jornalismo face à inteligência artificial”, realiza-se nos dias 24 e 25 de setembro na Universidade da Beira Interior.

O evento conta com 30 comunicações, divididas em 5 mesas presenciais e 2 mesas online, onde participarão investigadores de Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Perú, entre outros países.

O programa pode ser consultado no site do Congresso: https://www.iberperia.ubi.pt/